Mostrar mensagens com a etiqueta Artigo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Artigo. Mostrar todas as mensagens

09 outubro 2009

O SIGNIFICADO DO TOQUE

"Será que as pessoas se tocam o suficiente?
Sem dúvida, não!
Entre nós, existe uma carência muito profunda daquilo que mais desejamos: tocar, abraçar, acariciar... E isso vem desde muito cedo. Estudos actuais mostram que, entre as causas menos conhecidas para o choro dos bebés, está a necessidade de serem acariciados. Muitas mães rejeitam um contacto mais prolongado com os filhos, com base na falsa suposição de que, se o fizerem, eles se tornarão profundamente dependentes delas. Não são poucos os pais que evitam beijar e abraçar filhos homens, porque temem que assim se tornem homossexuais. Mesmo dois grandes amigos limitam-se a expressar afecto dando tapinhas nas costas um do outro, enquanto amigas trocam beijinhos impessoais quando se encontram. A pele, o maior órgão do corpo, até há muito que foi negligenciada.
Ashley Montagu, um especialista americano em fisiologia e anatomia humana, dedicou-se, por várias décadas, ao estudo de como a experiência táctil, ou sua ausência, afectaria o desenvolvimento do comportamento humano.
A linguagem dos sentidos, na qual podemos ser todos socializados, é capaz de ampliar nossa valorização do Outro e do mundo em que vivemos, e de aprofundar a nossa compreensão em relação a eles.
"Tocar", é o título do seu excelente livro e em que se baseia este artigo, é a principal dessas linguagens. Afinal, como ele mesmo diz, o nosso corpo é o maior playground do universo, com mais de 600 mil pontos sensíveis na pele. Como sistema sensorial, a pele é, em grande medida, o sistema de órgãos mais importante do corpo. O ser humano pode passar a vida toda cego, surdo e completamente desprovido dos sentidos do olfacto e do paladar, mas não poderá sobreviver de modo algum sem as funções desempenhadas pela pele. Montagu acredita que a capacidade de um ocidental se relacionar com seus semelhantes está muito atrasada em comparação com sua aptidão para se relacionar com bens de consumo e com as pseudo necessidades que o mantêm em escravidão. A dimensão humana encontra-se constrangida e refreada. Tornamo-nos prisioneiros de um universo de palavras impessoais, sem toque, sem sabor, sem gosto.
A tendência natural é as palavras ocuparem o lugar da experiência. Elas passam a ser declarações ao invés de demonstrações de envolvimento; a pessoa consegue proferir com palavras aquilo que não realiza num relacionamento sensorial com outra pessoa. Mas estamos começando, aos poucos, a redescobrir os nossos negligenciados sentidos.
O sexo tem sido considerado a mais completa forma de toque. Em seu sentido mais profundo, o tacto é considerado a verdadeira linguagem do sexo. É, principalmente, através desta intensa estimulação da pele, que o homem quanto a mulher chegam ao orgasmo, que será tanto melhor quanto mais amplo for o contacto pessoal e táctil. Mas, até que ponto existe relação entre as primeiras experiências tácteis de uma pessoa e o desenvolvimento de sua sexualidade? O autor acredita que, da mesma forma como ela aprende a se identificar com seu papel sexual, também aprende a se comportar de acordo com o que foi condicionado por meio da pele.
Assim, o sexo pode ter uma variedade enorme de significados: uma troca de amor, um meio de magoar ou explorar os outros, uma modalidade de defesa, um trunfo para barganha, uma afirmação ou rejeição da masculinidade ou feminilidade, e assim por diante, para não mencionar as manifestações patológicas que o sexo pode ter, em maior ou menor grau de intensidade, são todas elas influenciadas pelas primeiras experiências tácteis. Montagu acredita que a estimulação táctil é uma necessidade primária e universal. Ela deve ser satisfeita para que se desenvolva um ser humano saudável, capaz de amar, trabalhar, brincar e pensar de modo mais crítico e livre de preconceitos.
José Ângelo Gaiarsa, que escreve a apresentação da Edição Brasileira do livro de Montagu, reforça as ideias do autor, afirmando que "para todos os seres humanos é fundamental o contacto, o toque, a proximidade e a carícia. Falta-nos proximidade, contacto; não trocamos carícia nem gostamos que toquem em nós.
Quanto mais civilizados, mais assépticos, mais distantes e mais frios. Apenas palavras. Pouca mímica. Nenhum contacto. Por isso foi tão fácil inventar robôs.

"Texto extraído de reportagem baseada em material cedido por Regina Navarro, psicanalista e sexóloga e publicada no Jornal "Diário da Região" de S.J. do Rio Preto (SP) em 26/12/1999

Saudade



A saudade é um sentimento que traz consigo uma mistura de tristeza pela separação e/ou perda, ao mesmo tempo de alegria pela lembrança boa da pessoa, objeto de nosso sentimento. Só sentimos saudade de quem gostamos ou de situações que nos foram agradáveis. Não sentir saudade, talvez, reflita uma vida vazia de interações afetivas. Mas, a saudade dói e remove lembranças de um passado que se foi. È um sentimento solitário que nos faz chorar em meio a imagens que só existem nos nossos pensamentos. A saudade, impiedosamente, nos mostra a impermanência da vida. Tudo passa. Todos nascem, vivem e morrem. E a passagem é rápida. Se não for muito bem aproveitada, não há mais tempo. O ensinamento é viver plenamente o presente, cada pessoa, cada momento, como se fosse o último, mas sem ansiedade e sem apego. Entender o vai e vem das pessoas na estação da vida. Acolher carinhosamente na chegada e se despedir saudosamente na saída. E continuar inteiras, sem amargura e nem arrependimento. Sentir o sabor de estar viva. Contemplar a beleza da natureza. Aceitar os mistérios da criação e da morte.

Grace Wanderley de Barros Correia - Terapeuta

grace@libertas.com.br
http://www.libertas.com.br/

BOA MEMÓRIA REQUER NEURÓNIOS NOVOS


Nascimento de novas células no cérebro de adultos é importante para manter a inteligência, mostra experimento. Trabalho de equipe chinesa nos EUA não tem aplicação imediata, mas ajuda estudo de doenças degenerativas nervosas que não têm cura
Rafael Garcia





O cérebro precisa criar novos neurónios ao longo da vida dos adultos para manter sua capacidade de criar memórias e sustentar a inteligência.
A descoberta, anunciada ontem por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore (EUA), saiu de experimentos feitos com tecido cerebral de camundongos em laboratório.
O trabalho foi elaborado pelo neurocientista Hongjun Song, que liderou uma equipe com quatro outros colegas chineses emigrados, e consistiu numa tarefa delicada.

O grupo extraiu tecido do hipocampo (estrutura cerebral ligada à consolidação de memórias) dos roedores e preparou culturas de células em placas de vidro para investigar como elas se comportavam.
Os cientistas usaram vírus modificados para "marcar" com uma proteína fluorescente as células recém-nascidas na estrutura cultivada, facilitando o reconhecimento delas em comparação com células antigas maduras.
Com as células "tingidas" de verde, foi possível separá-las e ver como se comportavam.
"Descobrimos que essas células novas são mais plásticas - fáceis de serem mudadas.

A plasticidade é um dos mecanismos implicados no aprendizado e na memória", disse Song à Folha.
"Há um período crítico entre um mês e um mês e meio de idade dos neurónios no qual eles exibiam mais potenciação de longa duração - reforço da conexão dos neurónios que sustentam memórias.

"A descoberta põe fim a uma questão de muitos anos na neurociência, já que não se sabia se o nascimento de novos neurónios no hipocampo estava mesmo envolvido de maneira funcional na memória.
O fenómeno poderia servir apenas para fazer "remendos" no cérebro, à medida que neurónios vão morrendo com o envelhecimento.
Mas Song mostrou que não é isso que está em jogo.
A neurogênese (nascimento de neurónios) ocorre intensamente no cérebro de fetos e bebés, e desde 1998 se sabe que ela também existe no hipocampo adulto.

Só agora, porém, surgem as evidências físicas para mostrar que ela é necessária até o fim da vida para a memória e para a inteligência.
Segundo Song, seu artigo publicado hoje na revista "Neuron", pode ter impacto no estudo de formas de demência como o mal de Alzheimer.
"Nosso estudo sugere não só que a célula jovem é mais plástica, mas também que ela pode dar mais plasticidade às células antigas", afirma.

"Ao introduzir células novas -geradas por células-tronco ou outras fontes - pode ser possível tornar a rede de neurónios antigos mais plástica, com mais habilidade para se ajustar a novas condições."



Farmacologia x genética
Segundo o neurobiólogo brasileiro Alysson Muotri, ex-colega de Song no Instituto Salk, na Califórnia, o resultado é mesmo entusiasmante.
"Esses neurónios novos são tão plásticos quanto os embrionários -pelo menos por um tempo- e podem dar uma rejuvenescida nas redes neurais onde são provavelmente responsáveis por conectar as memórias no tempo", disse.

"Mas tenho algumas criticas ao trabalho. A maior delas é que o trabalho é totalmente farmacológico."
Segundo Muotri, como Song usou drogas em vez de técnicas genéticas para investigar o comportamento dos neurónios, o tecido pode ter sido afectado de maneira generalizada na hora da observação, o que compromete a precisão do resultado. Mas uma confirmação mais segura da pesquisa deve vir em breve.
"Queremos fazer isso com uma abordagem genética, mudando a activação de moléculas específicas que modulam esse processo de neurogênese", diz Song. "Será o próximo passo."



Fenómeno era conhecido, mas não entendido
O nascimento de novos neurônios no cérebro adulto é conhecido desde a década de 1960, mas só na última década ganhou importância no estudo da memória e de funções cognitivas do cérebro.
"No início, as pessoas não deram muita atenção, porque a evidência não era muito convincente", diz o Hongjun Song. "Em 1998, o Fred Gage [neurobiólogo do Instituto Salk] publicou um estudo para mostrar que a neurogênese do hipocampo também ocorre em humanos, e que ela tem função importante.

"A partir de então, surgiram evidências de que defeitos na "fábrica" de neurônios do cérebro podem afetar a memória, mas só agora ficou claro como ela actua no aprendizado.


http://www.jornaldaciencia.org.br/

Descoberto gene associado a comportamento obsessivo-compulsivo em ratos de laboratório



Bioquímicos portugueses Cátia Feliciano e João Peça envolvidos no estudo:
Guoping Feng, da Duke University, Carolina do Norte, EUA

Ratos de laboratório com Transtornos Obsessivos Compulsivos (TOC), que se arranhavam a ponto de arrancar o pêlo e a pele, ficaram praticamente curados depois da injecção de um gene que lhes faltava, revela uma experiência hoje publicada na revista Nature. O estudo de Jeffrey Welch e Guoping Feng (Duke University, Carolina do Norte, EUA), com a participação dos bioquímicos portugueses Cátia Feliciano e João Peça, foi realizado com ratinhos aos quais foi previamente retirado por manipulação genética o gene chamado 'Sapap3'.

A proteína produzida por este gene é particularmente abundante numa zona do cérebro chamada 'estriado' ('striatum'), surgindo assim a relação com os TOC, já que nos humanos os doentes com TOC apresentam lesões ou diferenças de funcionamento nessa zona cerebral. Depois de apagarem a proteína nos ratinhos, os cientistas descobriram que os animais se arranhavam compulsivamente, passados alguns meses. A maioria de ratinhos não desenvolveu a doença depois de lhes ter sido injectado o gene em falta.

O trabalho "sugere novas estratégias terapêuticas", de acordo com os investigadores. Os TOC, que atingem mais de dois por cento da população mundial (dos quais 2,2 milhões de norte-americanos), são caracterizados pela obsessão da limpeza, da ordem, da simetria, e das dúvidas e medos irracionais. Os pacientes tentam reduzir a sua ansiedade repetindo incansavelmente os rituais limpeza, de ordenação ou de verificação de situações. Estes gestos repetitivos que o paciente não consegue evitar, como lavar as mãos um sem número de vezes com medo dos micróbios ou arrancar os cabelos, são chamados "compulsivos". Num terço dos casos o tratamento usual, que associa terapia comportamental e anti-depressivos, é ineficaz. O comportamento dos roedores do estudo e a sua ansiedade (medo de explorar espaços novos) apresenta muitas semelhanças com o comportamento obsessivo-compulsivo humano, pelo que poderá servir aos investigadores como um modelo animal sobre estes problemas. No entanto, segundo o neurobiologista norte-americano Steven Hyman, da Universidade de Harvard, "nada permite afirmar que os TOC humanos estão ligados a este gene", porque eles não são uniformes e revelam elementos complexos, implicando provavelmente muitos genes.

Este especialista salienta também que "é extremamente pouco provável que modelos animais possam integrar os problemas psiquiátricos humanos na sua totalidade".